Cave Sua Cova 

 

  Era uma vez um homem que havia caído num buraco. Ele estava caminhando pelo campo sozinho, quando subitamente descobriu aquela cova, que não era muito profunda. Ele não havia notado aquela fenda porque estava muito pesaroso a respeito de seus semelhantes. A incompreensão criada pelos amigos e parentes que o rodeavam tornava a atmosfera de sua vida cada vez mais rarefeita, de modo que tivera de se afastar por uns tempos. E assim encontrou o sepulcro. Poderia sair dali facilmente, mas evitou se desentender com as outras pessoas novamente, pois decidiu ficar ali mesmo, sem incomodar ou ser incomodado. Entretanto, o buraco era pequeno e desconfortável. Então, o homem quis aumentar seu tamanho cavando para os lados e para o fundo. Ele cavou, cavou e cavou. Após algumas horas, parou. Percebeu que havia desenterrado incidentalmente diversos objetos interessantes. Ele os apreciava, e estava satisfeito por tê-los encontrado, pois nunca tivera ítens como aqueles. Assim, o homem resolveu mostrar seus novos pertences às pessoas. Ele saiu de sua trincheira com os artefatos e levou-os para seus amigos e parentes. Muitas pessoas não gostaram daquelas coisas; receberam-nas como lixo e ninharias. Ninguém valorizava o que o homem havia encontrado. Seus bens tinham significado apenas para si. Certo de que continuava sozinho, ele retornou à sua cova. Desta vez ele empenhou-se em cavar os lados e o fundo daquele buraco durante demasiados dias. Houve sol, houve chuva e houve frio. E assim foi; no término de algumas semanas o homem parou de cavar. Descobriu objetos mais valiosos nas escavações, coisas que enchiam os olhos de qualquer um. Convicto de que todos lhe dariam valor agora, ele pensou em sair da cova com seus novos tesouros. Porém, o buraco estava tão profundo que quase não se podia ver a superfície. O homem gritou e gritou, mas sua voz não subia tão alto. Preso no fundo da cova com todos os objetos que adorava, o homem cavara pelo resto de seus dias, porque, já que não podia subir, podia descer o quanto desejasse.

 

Rodrigo da Silva

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